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terça-feira, 20 de setembro de 2011
Rock em Rolo
(Óscar Fuchs)
— Aí, pai, to indo.
—Vai viajar? Pra onde?
— Viajar nas ondas do rock, pai. To indo pro festival de rock!
— É isso aí, filhão! Paz e amor!
— Paz e amor? Que chonga é essa, pai?
— Paz e amor, Woodstock, rock’n roll, protesto, transgressão...
— Não pode, pai, tem um monte de seguranças.
— É bom, é bom, sempre tem uns caras que exageram. Mas o importante é que o pessoal vai na livre e espontânea, voluntariamente, só no amor...
— Só no amor? Um passaporte desses custa uma fortuna, pai!
— Como assim, mas não é de graça? Todo mundo se movimenta para o mesmo lugar e acampa com barracas num gramado, curtindo o rock?
— Que nada, o patrocinador não deixaria.
— Patrocinador? Em festival de rock?
— Claro, né pai?!
— Ta bem, deixa pra lá. Quem é que vai estar no show, diz aí as bandas.
— Ó, no primeiro dia vai ter Titãs, Milton...
— Milton? Milton and the Wildtones? I’m gonna move? Big green car? É rock puro!
— Acho que não é o mesmo Milton, esse é o Milton Nascimento.
— Milton Nascimento? Cantando Travessia, Coração de Estudante, Cio da Terra e essas coisas, num show de rock? Tudo bem, tudo bem, é bom mesmo assim. Quem mais, quem mais?
— Deixa ver, Claudia Leite.
— Essa não é aquela do axé?
— É, a baiana, aquela.
— Axé em show do rock? Só falta dizer que vai ter música clássica.
— Vai. Será no encerramento da abertura.
— O que? Não me diga que vai ter Verdi com orquestra e coral no Va pensiero de Nabuco, em show de rock, inadmissível, inadmissível! Me dá aqui essa relação, deixa ver: Ivete Sangalo? Aquela do trio elétrico? Shakira? Aquela popzinha da copa do mundo?
— Ah, as meninas gostam dela, pai.
— Isso é comercial, é fabricado, é produto, é igual rolo de papel higiênico! Rihanna? Quem é Rihanna? Isso não é rock!
— Ela é uma que...
— Olha só essa lista, nenhum Rolling Stones, nenhum Queen, nenhum Santana...
— Não ta confirmado, mas acho que vai ter sim.
— Santana?
— É, o Luan.
— Não acredito! Onde a gente foi parar!
— Aí, pai, to indo.
—Vai viajar? Pra onde?
— Viajar nas ondas do rock, pai. To indo pro festival de rock!
— É isso aí, filhão! Paz e amor!
— Paz e amor? Que chonga é essa, pai?
— Paz e amor, Woodstock, rock’n roll, protesto, transgressão...
— Não pode, pai, tem um monte de seguranças.
— É bom, é bom, sempre tem uns caras que exageram. Mas o importante é que o pessoal vai na livre e espontânea, voluntariamente, só no amor...
— Só no amor? Um passaporte desses custa uma fortuna, pai!
— Como assim, mas não é de graça? Todo mundo se movimenta para o mesmo lugar e acampa com barracas num gramado, curtindo o rock?
— Que nada, o patrocinador não deixaria.
— Patrocinador? Em festival de rock?
— Claro, né pai?!
— Ta bem, deixa pra lá. Quem é que vai estar no show, diz aí as bandas.
— Ó, no primeiro dia vai ter Titãs, Milton...
— Milton? Milton and the Wildtones? I’m gonna move? Big green car? É rock puro!
— Acho que não é o mesmo Milton, esse é o Milton Nascimento.
— Milton Nascimento? Cantando Travessia, Coração de Estudante, Cio da Terra e essas coisas, num show de rock? Tudo bem, tudo bem, é bom mesmo assim. Quem mais, quem mais?
— Deixa ver, Claudia Leite.
— Essa não é aquela do axé?
— É, a baiana, aquela.
— Axé em show do rock? Só falta dizer que vai ter música clássica.
— Vai. Será no encerramento da abertura.
— O que? Não me diga que vai ter Verdi com orquestra e coral no Va pensiero de Nabuco, em show de rock, inadmissível, inadmissível! Me dá aqui essa relação, deixa ver: Ivete Sangalo? Aquela do trio elétrico? Shakira? Aquela popzinha da copa do mundo?
— Ah, as meninas gostam dela, pai.
— Isso é comercial, é fabricado, é produto, é igual rolo de papel higiênico! Rihanna? Quem é Rihanna? Isso não é rock!
— Ela é uma que...
— Olha só essa lista, nenhum Rolling Stones, nenhum Queen, nenhum Santana...
— Não ta confirmado, mas acho que vai ter sim.
— Santana?
— É, o Luan.
— Não acredito! Onde a gente foi parar!
terça-feira, 30 de agosto de 2011
Tijolinho de Arquibancada
(Óscar Fuchs)
Os empresários progressistas perceberam e se apossaram da paixão dos torcedores, tomaram conta dos clubes, das federações, fizeram negociatas com outros empresários progressistas e progredimos para a exclusão econômica e social no futebol. O povo foi escorraçado dos estádios, das transmissões das emissoras de TV e, agora, até do radinho de pilha. Sim, porque os jogos às sete e meia da noite nem se pode acompanhar pelo radinho porque no mesmo horário tem A Voz do Brasil, com os grandes feitos de deputados, senadores e outros que se apropriaram da república. Já na TV, para contentar grades de programação, os jogos são lá pelas 10 da noite.
Para pouca ética, uma filosofada: o poder econômico se apropriou do que é popular (do povo) e passou a vender para o povo o que já era dele! Filosofada, sim, mas vê se não é verdade.
Há apenas alguns anos nada acontecia nas tardes de domingo. Então as pessoas se reuniam e “juntavam” um time de futebol. Ainda não tinham nem campo de futebol, então tratavam de limpar um pasto, tirar os tocos de árvores a muque, tapar os buracos, colocar grama onde não houvesse e fazer as linhas demarcatórias no chão com cal virgem. O comunitário dono da serraria cedia alguns troncos e sarrafos, o gentil carpinteiro montava duas traves de gol e todos levavam no braço até onde deveriam ser instaladas. Espalhava-se a notícia pela região de que surgia um novo time de futebol e logo apareciam vários adversários dos lugares vizinhos propondo matches, jogos de futebol para alegria dos jogadores e diversão do povo nas tardes de domingo. Isso eu fiz.
Em breve o time haveria de ter nome, distintivo e, quiçá, uniforme. Definia-se quais seriam as gloriosas cores do scratch e então a dedicada costureira — via de regra, mãe de um dos atletas — cortava e costurava os panos que a loja de tecidos graciosamente ofertara para que se fizesse o vistoso uniforme.
Em domingo de estréia de uniforme tinha-se que promover um torneio. Não apenas para exibir e “patentear” as insígnias da agremiação, mas também — e como já fomos humildes e solidários! — para agradecer a todos aqueles rivais que sempre nos apoiaram e ajudaram... no mais das vezes, emprestando a bola número 5 e dando sugestões de como criar um time.
O tal torneio começava às nove da manhã e se estendia até o final da tarde com os times jogando entre si até que saísse um campeão. Não era desmereço o promotor do torneio ficar fora da decisão, afinal estava apenas começando sua trajetória gloriosa. E quando se definia o campeão numa eletrizante partida final — e como já fomos honrados e reconhecidos! — a festa era de todos e todos aplaudiam, parabenizavam e comemoravam, pois foi justo.
Logo havia de trocar o velho e puído uniforme por outro, comprar novas chuteiras e, quiçá, uma nova bola número 5. Já que as pessoas se divertiam assistindo aos matches, nada mais justo que essas pessoas contribuírem para aquisição de novos materiais. Assim, passava-se a cobrar ingresso, um pequeno valor, apenas para as despesas. Ninguém vivia daquilo ou ganhava dinheiro com aquilo. Até aí tudo bem, nada de mais. Mas, daí para diante, vocês já sabem o que aconteceu nas últimas duas décadas.
Os empresários progressistas perceberam e se apossaram da paixão dos torcedores, tomaram conta dos clubes, das federações, fizeram negociatas com outros empresários progressistas e progredimos para a exclusão econômica e social no futebol. O povo foi escorraçado dos estádios, das transmissões das emissoras de TV e, agora, até do radinho de pilha. Sim, porque os jogos às sete e meia da noite nem se pode acompanhar pelo radinho porque no mesmo horário tem A Voz do Brasil, com os grandes feitos de deputados, senadores e outros que se apropriaram da república. Já na TV, para contentar grades de programação, os jogos são lá pelas 10 da noite.
Pelo horário — o torcedor só volta para casa na madrugada! —, pelo preço ou por ser obrigado a ser sócio o povo não pode ir aos estádios. E a TV fechada — que é a única que transmite! — cobra cerca de R$ 75,00 por jogo no pay per view.
Mas, peraí! Ta todo mundo ganhando muito! Os clubes agora têm diretores remunerados, os presidentes de federação e outros cartolas faturam com cotas de patrocínios e marketing até se tornarem milionários, as arbitragens só fazem discursos de indulgência a si mesmos por apitarem mal, mas cobram alto mesmo assim, os técnicos e jogadores recebem salários injustificados para inventarem desculpas para a derrota do time ou arranjam um desconforto muscular para não jogar. E eu pergunto: então era isso que pretendiam quando inventaram a falácia do clube empresa, do futebol profissional, do futebol empresa?
Todos ganham e muito, menos o apaixonado pelo futebol, aquele que gosta do esporte pela disputa, pelo lúdico, o verdadeiro criador e fomentador de todos esses clubes — clubes!? — que estão por aí: o torcedor.
Olha, ainda há futebol de várzea, apesar da tentativa de acabar também com ele. Garanto que lá na várzea nenhum atleta deixará de jogar por causa de uma unha encravada. Imagina um jogador da várzea pedir para não jogar por causa de um desconforto muscular! Lá ninguém recebe uma fortuna e nenhum presidente cobra comissão por marketing, nem marketing tem! Nenhum treinador da várzea tem a sua disposição quarenta jogadores para escolher onze e ainda escolher errado, apesar de ser um especialista na função. Lá na várzea não há repórteres amiguinhos fazendo perguntas amigáveis e puxando o saco dos entrevistados para ter acesso a informações e aos pernas-de-pau, não! Lá eles são cobrados aos gritos por aquele que levou seu tijolinho, colocou no barranco e está sentado nele, assistindo ao jogo. Ele constrói sua própria arquibancada com aquele tijolinho. Lá, basta o jogador errar só um passe de três metros que já vai para o banco de reservas. Como dizia meu treinador:
— Senta lá no banco e fica assistindo. Prefiro jogar com dez que ter você fazendo merda.
Lá na várzea tudo é honesto, ninguém está enganando ninguém para faturar, o craque é craque, o cabeça-de-bagre é esforçado e o juiz é da vizinhança. Já que nos tomaram o que nos pertencia, vamos começar tudo outra vez: pegue seu tijolinho, vá até a várzea e vamos construir uma nova arquibancada, um novo velho e bom futebol.
A filosofada foi longa, já estão batendo à porta, preciso desocupar. Cadê o papel... cadê o papel.... cadê o papel...
segunda-feira, 11 de julho de 2011
Não vê as notícias, não!?
(Óscar Fuchs)
Trabalhei como Relações Públicas em uma casa noturna há muitos anos. Minha rotina era sair do trabalho lá pelas cinco da manhã, chegar em casa, pegar o jornal quentinho que recém tinha sido entregue e ler até que viesse o sono.
Certa vez, por cerca de duas semanas, não recebi o jornal. Atrapalhou toda a minha rotina, pois chegava em casa e não tinha nada para descontrair de uma noite de trabalho.
Numa madrugada dessas, chegando em casa, encontrei o entregador saindo pelo portão do prédio logo após entregar o jornal. Não pude deixar de exultar:
— Ah, finalmente voltaram a entregar o meu jornal!
— É — disse ele —, a gente não estava entregando.
— Isso eu sei! O que aconteceu?
— A gente estava em greve. O senhor não vê as notícias, não?
Não me contive:
— Como é que poderia ver as notícias se você não me entrega o jornal!?
Disso, me ocorreu:
O sujeito vem pela estrada e para em um posto de combustíveis para abastecer o carro:
— Cinqüenta reais de álcool, por favor. — Pede.
— Não dá. — Diz o frentista.
— Como é? — Pergunta o motorista.
— Não posso vender álcool para o senhor.
O motorista sorri amarelo.
— Como assim, não pode? Isso é uma pegadinha, né?
— Não, senhor.
— É uma pegadinha, sim. Cadê a câmera? Cadê?
— Câmera é na borracharia, senhor.
— Eu to falando de câmera de filmar. Aposto que tem uma câmera filmando a gente. — Desconfia, olhando para os lados
— Tem, não.
— Mas, então... por que você não pode abastecer meu carro?
— Abastecer, eu posso. Só não pode ser com álcool.
— E por que não?
— Quem garante que o senhor não vai beber?
— Ta maluco? Eu nem bebo!
— Isso é o que o senhor está dizendo.
— Você acha que vou beber álcool combustível?
— Já vi gente bebendo cada coisa que o senhor não imagina. O vício é uma desgraça.
— Agora ta me chamando de bêbado!
— Como é que vou saber? Eu não ponho a mão no fogo por ninguém.
— Isso não tem lógica.
— O que não tem lógica é o senhor beber um tanque cheio de álcool e sair por aí, embriagado, provocando acidentes e matando gente inocente.
— Você é maluco?
— Posso ser maluco, mas não sou bêbado.
— Eu não bebo! Vamos resolver isso: você coloca um pouquinho, só pra eu chegar a outro posto, ta bem?
— Só uma garrafinha?
— Só uma garrafinha.
— Vamos fazer diferente: eu sirvo um copinho pro senhor, só uma dose, e o senhor promete que larga a bebida.
— Eu já disse que não bebo!
— Todos os bêbados dizem que não são bêbados.
— Escute aqui, ou você abastece meu carro ou denuncio você e esse posto agora mesmo!
— Pode denunciar. To só respeitando a lei.
— Lei? Mas que lei?
— Puxa, o senhor é muito desinformado, hein?
— Mas eu não to sabendo de nada, que lei é essa?
— Não sabe que proibiram a venda de álcool nas estradas?
Trabalhei como Relações Públicas em uma casa noturna há muitos anos. Minha rotina era sair do trabalho lá pelas cinco da manhã, chegar em casa, pegar o jornal quentinho que recém tinha sido entregue e ler até que viesse o sono.
Certa vez, por cerca de duas semanas, não recebi o jornal. Atrapalhou toda a minha rotina, pois chegava em casa e não tinha nada para descontrair de uma noite de trabalho.
Numa madrugada dessas, chegando em casa, encontrei o entregador saindo pelo portão do prédio logo após entregar o jornal. Não pude deixar de exultar:
— Ah, finalmente voltaram a entregar o meu jornal!
— É — disse ele —, a gente não estava entregando.
— Isso eu sei! O que aconteceu?
— A gente estava em greve. O senhor não vê as notícias, não?
Não me contive:
— Como é que poderia ver as notícias se você não me entrega o jornal!?
Disso, me ocorreu:
O sujeito vem pela estrada e para em um posto de combustíveis para abastecer o carro:
— Cinqüenta reais de álcool, por favor. — Pede.
— Não dá. — Diz o frentista.
— Como é? — Pergunta o motorista.
— Não posso vender álcool para o senhor.
O motorista sorri amarelo.
— Como assim, não pode? Isso é uma pegadinha, né?
— Não, senhor.
— É uma pegadinha, sim. Cadê a câmera? Cadê?
— Câmera é na borracharia, senhor.
— Eu to falando de câmera de filmar. Aposto que tem uma câmera filmando a gente. — Desconfia, olhando para os lados
— Tem, não.
— Mas, então... por que você não pode abastecer meu carro?
— Abastecer, eu posso. Só não pode ser com álcool.
— E por que não?
— Quem garante que o senhor não vai beber?
— Ta maluco? Eu nem bebo!
— Isso é o que o senhor está dizendo.
— Você acha que vou beber álcool combustível?
— Já vi gente bebendo cada coisa que o senhor não imagina. O vício é uma desgraça.
— Agora ta me chamando de bêbado!
— Como é que vou saber? Eu não ponho a mão no fogo por ninguém.
— Isso não tem lógica.
— O que não tem lógica é o senhor beber um tanque cheio de álcool e sair por aí, embriagado, provocando acidentes e matando gente inocente.
— Você é maluco?
— Posso ser maluco, mas não sou bêbado.
— Eu não bebo! Vamos resolver isso: você coloca um pouquinho, só pra eu chegar a outro posto, ta bem?
— Só uma garrafinha?
— Só uma garrafinha.
— Vamos fazer diferente: eu sirvo um copinho pro senhor, só uma dose, e o senhor promete que larga a bebida.
— Eu já disse que não bebo!
— Todos os bêbados dizem que não são bêbados.
— Escute aqui, ou você abastece meu carro ou denuncio você e esse posto agora mesmo!
— Pode denunciar. To só respeitando a lei.
— Lei? Mas que lei?
— Puxa, o senhor é muito desinformado, hein?
— Mas eu não to sabendo de nada, que lei é essa?
— Não sabe que proibiram a venda de álcool nas estradas?
quarta-feira, 29 de junho de 2011
Humpf!
(Óscar Fuchs)
O marido assistia ao futebol enquanto a mulher, ao lado, fazia crochê... ou tricô, porque nunca sei o que é um e outro. O locutor da TV disse:
— Mande sua pergunta!
E a mulher comentou com o marido:
— São uns idiotas.
— Quem? — Perguntou o marido.
— Esses que mandam perguntas para a TV. Pensam que vão responder as perguntas?
— Eles respondem, sim.
A mulher sorriu com desdém:
— Então pergunta pra eles por que só respondem perguntas idiotas. Duvido que vão responder.
— Eu acho que...
— Fico pensando — interrompeu a mulher —, se esses babacas sabem que os comentaristas só respondem perguntas idiotas, por que mandam as perguntas?
— Porque...
— Pra aparecer, só pode ser pra aparecer.
— Vai ver que...
— Quer aparecer, mesmo que passe por idiota.
O marido continua tentando:
— Às vezes...
— Por que essa gente tem tanta fixação em aparecer na TV?
— É uma coisa...
— Só pra dizer pros amigos que apareceu na TV? Só pra se vangloriar “meu nome apareceu na transmissão do futebol”, só por isso?
— Talvez...
— E daí? Grande coisa! — A mulher imita um ogro — “O Galvão fez minha pergunta idiota ao Casagrande, hô-hô-hô!”
— De vez em quando...
— Tem que mandar esses idiotas catar coquinho.
— Eu mandei.
Finalmente a mulher prestou atenção ao marido e perguntou entusiasmada:
— Mandou eles catar coquinho?
— Não, mandei uma pergunta.
— Ah, não acredito. Mas é um idiota.
O marido apenas suspirou.
– Que pergunta você mandou?
O marido apontou para a TV:
— Daqui a pouco você vai saber.
A mulher pensou alto:
— Se você mandou uma pergunta, e se eles vão fazer a sua pergunta, então... você mandou uma pergunta idiota!
— Você ainda nem sabe qual é pergunta!— Argumentou o marido.
— Mas, você disse que eles vão fazer sua pergunta...
— Acho que vão.
— Pois é, se eles só colocam no ar perguntas idiotas, e se você tem tanta certeza que eles vão colocar sua pergunta no ar, então é uma pergunta idiota!
— Pode ser pra você, mas...
Ela interrompeu outra vez:
— Impressionante.
Ele quase se irritou:
— Antes de criticar...
Ela voltou pro seu crochê... ou tricô, sei lá:
— Outro idiota mandando perguntas idiotas pra TV idiota.
— É que eu...
— Por que não mandou uma pergunta inteligente? — Perguntou ela.
Aí ele se irritou mesmo:
— Porque se eu mandar uma pergunta inteligente eles não vão fazer minha pergunta no ar, só por isso!
Ela também se exaltou:
— Então não manda a pergunta idiota!
— Se eu não mandar a pergunta idiota eles não falam!
— Não falam o que?
O marido, intimidado:
— ...não falam... a pergunta...
A mulher levantou o indicador:
— E o que mais? E o que mais?
O marido respondeu baixinho. Ela colocou a mão no ouvido e insistiu:
— Hein? O que disse?
— Meu nome. Se eu não mandar uma pergunta idiota eles não falam meu nome no ar, pronto.
— Ahá! Então é isso, é só pra aparecer! Eu sabia! Eu sabia! Você só queria que seu nome aparecesse na TV.
O marido ficou em silêncio. Ela voltou a fazer tricô... ou crochê:
— Eu só me pergunto: Por que essa fixação em aparecer o nome na TV?
O Locutor da TV disse:
— Faltam dois minutos para acabar o jogo!
— Viu? Viu? Ta acabando o jogo e não fizeram sua pergunta idiota. Bem feito.
Uma pausa pensativa, então ela se dá conta:
— Mas, qual era a pergunta que você mandou só pra aparecer?
— Não vou dizer.
— Ah, fala.
— Não.
— Deve ter sido uma pergunta inteligente, porque eles não leram sua pergunta no ar, né?
— É.
A mulher largou o crochê... ou tricô e sentou-se ao computador. Digitou algo e voltou a sentar no sofá. O marido, curioso, perguntou:
— O que você foi fazer no computador?
A mulher retomou o tricô... ou crochê e respondeu indignada:
— Mandei uma pergunta para aqueles babacas.
— Que pergunta?
— Perguntei por que eles não colocaram no ar a pergunta inteligente do meu marido. Agora quero ver o que eles vão dizer. Humpf!
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