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quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

"Ética" e "É titica"... Sinônimos?

(Óscar Fuchs) 

10 minutos para uma matéria que falava sobre o  polêmico bronzeado de sua apresentadora, em férias, curtindo uma prainha local e legal.

Nesse 22 de janeiro de 2014 a afiliada da Globo no Rio Grande do Sul, a RBS TV, em seu Jornal do Almoço (versão local do Jornal Hoje, da Globo), foi sátira, no mínimo.
Uma onda de calor insuportável assola o estado do Rio Grande do Sul. Nesse momento estamos a 39ºC  (39 graus Celsius) à sombra, em todas as partes do estado. Cerca de 200 mil lares (lares, não me refiro a pessoas) estão em situação precária com a falta de luz e a consequente falta de água. Só em Gravataí são 100 mil pessoas sem água e sem luz. Pelo quarto dia seguido Porto Alegre está com a temperatura mais alta do Brasil.
A CORSAN, empresa estatal “responsável” pelo tratamento e distribuição de água na região metropolitana e em todo o Rio Grande do Sul, exceto Porto Alegre, está em colapso por falta de energia elétrica em vários municípios. A situação é de calamidade.
Tudo passável, possível e passível, para a RBS... e insignificante. O tal Jornal do Almoço dedicou um espaço de 10 minutos para uma matéria que falava sobre o bronzeado de sua apresentadora, em férias, curtindo uma prainha local e legal.
A RBS TV, o representante PIG para o sul do Brasil, deslocou equipes de reportagem, equipamento de filmagem, repórter, produtores e toda a sua atenção para o local mais popular da cidade, no centro de Porto Alegre, a fim de colocar em debate, numa enquete, a grande polêmica do Estado do Rio Grande do Sul: o bronzeado da Cristina.
Diga-se de passagem, grande parte dos “enqueteados” vivem na região metropolitana de Porto Alegre e estão sofrendo com o calor senegalesco, com a falta de energia e com a falta de água, mas não se furtaram em sua ignorância e ânsia de aparecer ao darem sua indispensável opinião sobre o “polêmico bronzeado da Cristina”.
Sim, porque é algo indispensável, na situação em que estamos, saber sobre o “polêmico bronzeado da Cristina”. A pseudo-jornalista Regina Lima, conhecida na aldeia por suas matérias popularescas, perguntava ao povão, em geral mulheres, se achavam que o “polêmico bronzeado da Cristina” era de “câmera de bronzeamento, dieta, produto bronzeador, ou de sol”.
Bons jornalistas estão em baixa, sejam repórteres, colunistas, cronistas, pauteiros ou editores . Afinal, bons jornalistas têm essa maldita mania de ter ética e comprometimento com fatos e matérias. Eles não são bem vistos na RBS.
Um bom jornalista jamais confundiria, ao datilografar, anotar ou digitar, “ética” e “é titica”. Mas isso vai contra o manual de edição e redação da RBS, confundir é sua especialidade. Certamente, no manual de redação da RBS, “Ética” e “É titica” estão no mesmo verbete, são sinônimos.

E-mail: oscar.cronicas@gmail.com

domingo, 13 de outubro de 2013

Fuiii!

(Óscar Fuchs)

É um mistério. Apesar de todo nosso conhecimento acumulado, de toda nossa tecnologia, de todas as contribuições filosóficas da revista Caras, ainda não sabemos para onde vai aquele meio-comprimido que escapa ao partimos um comprimido ao meio.
Existem várias teorias sobre coisas perdidas, desde as que envolvem elfos e duendes até aquelas que afirmam existir um monstro papa-tudo dentro do sofá da sala. Formulei minha própria teoria: a do depósito universal.
Funcionaria assim: todas as vezes que se achasse um objeto, outro teria que ser perdido em algum lugar do universo para manter o número exato das coisas perdidas. E vice-versa. Daí viria a lógica de que sempre que você estivesse procurando uma coisa perdida, acabava encontrando outra que já nem lembrava. E tudo isso seria on line! Perdi a linha de raciocínio. Ta vendo? Aconteceu de novo.
Já achei a linha de raciocínio, o que significaria que alguém, nesse momento, estaria perdendo alguma coisa em algum lugar do universo. Como comprovação da minha teoria do depósito universal usava o exemplo do meio-comprimido: toda vez que divido um comprimido, metade dele não cai ali no centro da cozinha, onde há todo aquele espaço livre, mas em recônditos lugares inacessíveis. Embaixo do fogão, por exemplo.
E mais, ao procurar aquele meio-comprimido embaixo do fogão sempre encontro um garfinho de sobremesa, ou meus óculos de leitura, ou aquela fatia de beterraba que “saltou” da salada no início do ano. Só nunca encontrei o meio-comprimido.
Entretanto, depois de tantos anos de estudo e observação sobre o sumiço das coisas, minha teoria do depósito universal evoluiu para outra que chamo de Fuga Ultra Instintiva de Inteligência Inerente ou, simplesmente, F.U.I.I.I.!
A fuiii! é mais ou menos assim: segundo Darwin, tudo é evolução. Pensemos então por quantas transformações já passaram, desde lá do início das eras, os elementos que compõem aquele meio-comprimido caído não-se-sabe-onde.
Ora, um comprimido é composto de matéria, matéria é formada por várias substâncias, substâncias são a junção de elementos químicos e seus átomos, átomos são formados por partículas subatômicas, partículas subatômicas são energia, energia é vida, vida se adapta e se transforma ou desaparece. A ciência já provou que o átomo tem comportamentos diferentes quando observado ou não, como se fossem crianças fazendo traquinagens. Só isso já bastaria para comprovar a fuiii!
O fato é que a evolução dos elementos químicos desse comprimido vem ocorrendo há milhões e milhões de anos e, tal como acontece com tudo o que tem vida, também o transformou, também o adaptou: aquele meio-comprimido adquiriu inteligência!
Assim, sempre que divido um comprimido ele percebe que uma de suas metades será extinta ou transformada em outra coisa e... Fuiii!, foge dali para se preservar e garantir a continuidade da sua espécie. No meu caso, a espécie dos barbitúricos.
Então, se você não encontrar sua carteira, seus óculos, sua caneta, ou se sumir seu molho de chaves ou seu controle remoto, ou se deixar cair uma moeda, não pense que foi você que os perdeu, na verdade eles é que fugiram e estão escondidos num lugar inacessível para você. Pronto, é Fuga Ultra Instintiva de Inteligência Inerente!
Bolei essa crônica inteira enquanto estava aqui, com uma régua, futucando embaixo da geladeira, procurando o maldito meio-comprimido que fugiu. Pelo menos encontrei o pivô frontal que voou da minha boca há cinco semanas, quando explicava minha teoria a um amigo:
— Como se chama sua teoria mesmo? Perguntou ele.         
— Fuiii! — ...e lá se foi meu pivô esconder-se em lugar incerto e descabido.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Chocante

(Óscar Fuchs)

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domingo, 8 de setembro de 2013

Desfile de Alegorias

(Óscar Fuchs)





A Mais Bela Prenda

(Óscar Fuchs)



Tiro de Laço

(Óscar Fuchs)

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Gsepgmoljs e caras pálidas

(Óscar Fuchs)

Os gsepgmolj (Clique aqui e veja outras crônicas dos gsepgmolj: http://cronicasoscar.blogspot.com.br/search?q=gsepgmolj&max-results=20&by-date=false) são extra-terrestres que vieram fugidos do planeta Vrlizov por causa de uma invasão de Carlinhos Browns. Pelas últimas notícias que tiveram, os Browns convocaram reforços: um batalhão de Carlinhos de Jesus. O lugar ficou insuportável. Devastação generalizada.
— O terremoto no Haiti é pinto perto da nossa tragédia. — Queixam-se.

Compreende-se. Se um Carlinhos Chato incomoda muita gente, dois Carlinhos Chatos incomodam muito mais. Brasileiro sabe muito bem disso. Lamentei muito tamanha catástrofe, mas não há o que fazer.

Os gsepgmolj fizeram uma conexão entre a vodka vagabunda do boteco do Vandi e o nome de seu planeta, Vrlizov, por isso sempre estão ali, bebendo aquele ácido intragável.

Sou o único terráqueo que sabe que estão entre nós, então sempre me abordam para lhes explicar esse nosso estranho planetinha e nosso comportamento nonsense.

Ontem eu estava passando em frente ao boteco do Vandi quando recebi uma cusparada na cara. Uma gosma esverdeada escorreu pelo meu rosto, olhei para dentro do boteco e ali estavam quatro gsepgmolj sentados a uma mesa com uma garrafa de vodka.

Entrei irritado e fui tirar satisfações:
            — Olha aí, me melecou todo com esse cuspe verde nojento! Sou o único que pode ajudar vocês, com quem podem conversar aqui na terra e vocês me tratam assim?
            — Terráqueo, isso é uma saudação lá no nosso planeta.
            — Uma cuspida é uma saudação? Estão loucos?
           — Ué, vocês chupam com a boca a pele cheia de bactérias dos outros quando se saúdam... e não acham isso estranho?
            — Isso se chama beijo!
            — Como se chama, não interessa. É repugnante e doentio!
           
Peguei um guardanapo e limpei o cuspe do rosto. Fiquei ainda mais irritado quando o Vandi se apoiou no balcão e quis me cobrar o guardanapo. Um dos gsepgmolj tentou levantar-se da cadeira, mas estava totalmente embriagado e caiu de cara sobre a mesa, derrubando garrafas e copos. Deitado sobre a mesa, apenas levantou o braço e gritou para o Vandi:
            — Põe o guardanapo na minha conta... ihc!...
           
Ajeitaram o parceiro na cadeira. Eu continuava irritado:
            — Vocês vieram para cá, então devem adotar nossos costumes. Vocês não estão no seu planeta.
            — Ora, — Disse o gsepgmolj — Vocês também já fizeram isso com a gente.
            — Nós? Quando?
            — Uma de suas naves já esteve em Vrlizov.
            — Já? No seu planeta?
           — Sim. Os governos secretos da Terra nunca divulgaram nada, o povo nada sabe. Mas estiveram lá.
            — E como foi? — Perguntei curioso e estupefato.
            Todos se olharam e começaram a rir.
            — Qual a graça? Me conta como foi!
           — Vou contar. Os terráqueos desceram da nave e caminharam um pouco por um deserto que temos lá no nosso planeta. De repente nos encontraram. Apontaram suas armas para nós e disseram: Vejam! Alienígenas! Então dissemos aos terráqueos: Alienígenas QUEM, cara-pálida!?
           
Todos os gsepgmolj, já bêbados, caíram na gargalhada.
         — Entendeu? Vocês saem do SEU planeta, chegam no NOSSO planeta... e nós é que somos os alienígenas?  — E choravam de tanto rir.