CHEGOU!!! CRÔNICAS & RABISCOS, em março, grande lançamento! Crônicas de humor, edição ilustrada

quarta-feira, 6 de abril de 2016

segunda-feira, 14 de março de 2016

Acabou a moleza

Pela primeira vez no Brasil se viu, na semana anterior às manifestações, a velocidade com que agem as redes sociais e a internet. Até alguns três ou quatro anos atrás, levava-se semanas ou meses para se mudar um conceito depois que ele já estivesse incrustado na mentalidade das pessoas. Isso, em geral, só se conseguia com jornais, televisões, rádios e boca-à-boca, todos trabalhando a franca potência e constantemente. Só então, depois de semanas ou até meses de campanha, começaríamos a perceber uma pequena mudança no que estariam pensando as pessoas nas ruas.
Até quatro ou cinco dias antes do domingo (13/03), os argumentos entre Coxinhas X Petralhas eram em defesa de seus representantes políticos e ataques aos representantes do outro lado. Acusações de lado a lado, muitas falsas outras nem tanto, ofensas pessoais aos políticos de lá e da cá, revelações de processos contra fulanos e contra beltranos, poucos poupados. Não importava quem ou o que estava com a razão, qual ou o que era o motivo da rinha e, mesmo, qual ou o que era o discurso de cada lado. Afinal, contra e a favor o que se manifestavam nas redes sociais e na internet?
Na verdade, naquele momento, ninguém sabia direito. O que importava era o ataque. Então começaram a aparecer nos noticiários acusações, delações, citações, indiciamentos e processos em que políticos não governistas estão envolvidos. Os discursos ficaram vazios porque não se sabia exatamente o que queria quem. Um queria Impeachment por causa da corrupção, o outro não. Ora, o que pedia a manifestação? Impeachment! Por quê? Corrupção! Mas, tinham percebido que também há corruptos fora do governo. E agora? Os dois lados ficaram meio perdidos.
Consciente de que haviam perdido seus ídolos políticos, que eles não seriam um bom apelo, e percebendo que seu discurso tinha ficado sem sentido, o movimento vem pra rua, apenas dois ou três dias antes, mudou para “somos contra qualquer corrupção, seja de quem for”. Usando a internet e sobretudo as redes sociais, em questão de horas conseguiram incutir em seus seguidores o novo discurso. E de um momento a outro, saíram às ruas com o novo conceito da manifestação.
A rapidez foi tanta que ficou até engraçado quando dois desses ídolos, Alkmin e Aécio, foram à manifestação imaginando que seriam levados nos braços da glória e, ao invés disso, os expulsaram aos gritos de corruptos e oportunistas. Até eles foram surpreendidos pela mudança vertiginosa de conceito! Imagino um dizendo ao outro: Pô, mas nem me avisaram!
Assim se entende a constante luta das mídias estabelecidas, sobretudo Globo, contra as mídias sociais. Diariamente, em seus jornais e programas, a Globo insiste que ficar muito tempo nas redes sociais faz mal para a saúde. Faz mal para a saúde dela! De uns tempos para cá ela vem tentando também colar seus aplicativos nos usuários de mídias sociais, o que seria um meio de manter suas ideias ativas. Mas não está conseguindo.
Lí dia desses, véspera da manifestação, um texto do Fernando Morais em que ele expressava bem essa atuação participativa dos meios eletrônicos na nossa vida. Dizia ele: (...)mas as coisas mudaram: imprensa de papel está com os dias contados; assim como a TV, como nós conhecemos, também vai acabar. Agora eles mentem à noite na televisão e nós desmentimos de dia, na internet. Acabou a moleza.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

BÚZIOS ego

Búzios. Estávamos assistindo ao noticiário da TV no quarto da pousada quando deram a previsão do tempo para várias cidades do Brasil. Ao terminar, a amada companheira reclamou:
— Não deram a previsão para Búzios!
Retruquei:
— Búzios não é no Brasil, meu amor, — e completei — talvez nem no continente americano.
Adoro o humor que reside nas megalomanias. E a impressão de Búzios é essa mesma: tão megalomaníaca que chega a ser engraçada, meio ridícula na sua ostentação, na sua fleuma tupiniquim, na sua arrogância presunçosa. Tudo o que é assim, megalomaníaco, provoca humor e risos.
Logo de chegada, ao irmos a um restaurante, o garçom nos atendeu com um buenos dias. Disse a ele que não falasse espanhol e ele tascou:
— Sorry, sir.
Expliquei ao garçom que sou brasileiro e que poderíamos falar português. Senti-me como aqueles milhares de migrantes que estão invadindo a Europa: “lá vêm esses clandestinos fugidos encher o saco”, pois o garçom fechou a cara e ficou emburrado durante toda a refeição. Não sei se foi porque me considerava um invasor de seu "país", se foi porque não poderia exercitar sua bilinguidade ou se foi porque sabia que brasileiro gasta pouco. Se foi por causa da última conjectura, ele estava certo: escolhemos pratos baratos.
Costumo dizer que Búzios é a mais badalada praia do território argentino. Mas estou errado. Dos argentinos, Búzios apreendeu a megalomania e o egocentrismo, pois na verdade é a mais badalada praia do território buziano. Búzios é uma península isolada psicologicamente do mundo. Se não fossem dez toneladas de terra naquele istmo que liga Búzios ao continente, seria uma ilha. E adoraria ser uma ilha, pois está convencida de que é muito mais importante que o resto do mundo.
Argentinos às pencas. Agora imagina: você vai para um lugar à beira-mar, que foi uma colônia de pescadores e onde abundam ostras, lagostas, caranguejos, lulas, peixes miles para se fartar de frutos do mar,  mas o prato principal em todos os restaurantes é... picanha. Picanha e pizza são os pratos típicos da gastronomia independente de Búzios. Os frutos do mar deixaram a desejar até pro peixinho frito de qualquer boteco aqui do nosso país. Claro, nosso país significa “fora de Búzios”.
As suspeitas da independência total de Búzios em relação ao resto do planeta se confirmaram. Caminhando pela orla, encontrei uma placa que retrata em desenho como Búzios se separou — vejam só — do Paleocontinente Gondwana! Ali explica que a terra tinha um continente, o Gondwana, que foi dividido em várias partes continentais: África, Índia, Antártica, Austrália, América de Sul e... Búzios. Isso mesmo. Além desses, não aparece nenhum outro nome de cidade, de estado, de país ou de continente, só “Búzios”.





Como Búzios se separou do Paleocontinente Gondwana!

Búzios não está nem aí para o resto da Terra, quiçá do Universo! Búzios, se falasse — e não duvido disso —, diria:
— Pois é, infelizmente tenho que dividir esse planeta e meus mares com outros continentezinhos e territoriozinhos.
Sim, porque pensa que os mares são seus, como pensam os ingleses.

Já tinha formulado todas essas impressões de Búzios depois de chegar aqui em casa. Então fui vestir uma dessas camisetas baratinhas “I Love Búzios” que se compram para dar de lembrança aos amigos. Antes de vestir, dei uma olhada na etiqueta na esperança de que dissesse algo de diferente, afinal, conhecendo Búzios... Pois, pasmem, minhas impressões estavam totalmente corretas. Na etiqueta estava escrito nada mais, nada menos que: Made in Búzios. Que ego!

domingo, 13 de dezembro de 2015

Formador de Opinião

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Golpe


sábado, 19 de setembro de 2015

Onofre Novato

Onofre Novato, o gaudério novato, é um gaúcho urbano, da capital, que resolveu buscar suas origens. Apeou da cidade e montou no cavalo das tradições gaúchas com mala-de-garupa, cuia e hematomas.

Onofre Novato, nas lides campeiras



















sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Semana Farroupilha

Charges de 20 de Setembro, semana Farroupilha, que fiz há anos. Mas é sempre a mesma coisa: chuva...chuva....chuva...