CHEGOU!!! CRÔNICAS & RABISCOS, em março, grande lançamento! Crônicas de humor, edição ilustrada

terça-feira, 2 de maio de 2017

Quadrinhos - HQ

Há alguns anos me encomendaram uma revista em quadrinhos sobre o Grêmio. Como, à época, o Grêmio estava naquela rivalidade com o Palmeiras/Parmalat (um time milionário!), achamos por bem começar com aqueles confrontos. Mas tinha que ser uma HQ infantil, então estudei os jogadores do Grêmio e criei caricaturas simples e bem infantis de cada um deles. Foram meses de trabalho, gasto de materiais (só de Xerox colorido A3 gastei uma pequena fortuna) e, no fim, adoraram. Mas.... acabou que os picaretas da revista fugiram, não pagaram e ainda levaram os originais em nanquim e aquarela. Consegui recuperar os originais.
Muito nanquim, aquarela e letraset... na época a computação gráfica tava ainda iniciando... e olha que eu trabalhava com "imagem digital"! As pessoas pensavam que eu trabalhava com a polícia por causa da "imagem digital". kkkkkkkk

Agora, vou publicar periodicamente uma tira dessa revista. Peço que compartilhem e divulguem para que todos conheçam e, eventualmente, alguém queira publicar. Vai a primeira tira, do “Mosquetinho”, um menino gremista que é filho do mosqueteiro. Obrigado




quinta-feira, 27 de abril de 2017

Inverno

Dimenor, menino de rua                                                                      Óscar Fuchs

Meu lado esquerdo

(Óscar Fuchs)

— Bom dia, no que posso ajudá-lo?
— Bem, doutor, é que eu quero ser mais descontraído, andar mais à vontade, mais relaxado.
— Isso é fácil. O senhor me conta algumas coisas da sua vida e...
— Não, doutor, não sou eu o problema. O senhor vai ter que tratar a minha mulher.
— Ah, é mesmo? E qual é o problema dela?
— Bem, o senhor tinha um colega famoso, o psiquiatra Oliver Sacks.
— Sim. Ele escreveu “O Homem que confundiu sua mulher com um chapéu”.
— Esse mesmo. Antes de vir eu tomei banho, fiz a barba, cortei o cabelo...
— E o que sua mulher tem a ver com isso?
— Olhando pra mim, o que o senhor vê de... anormal?
— De anormal? Deixa ver... pode se levantar, por favor? Nada. Pode sentar.
— Não seja gentil, doutor. Diga exatamente o que não está certo comigo.
— Mmmmm... já disse, não vejo nada...
— O senhor está vendo, mas não quer dizer.
— O que estou vendo?
— Meu dente.
— É verdade, reparei que está faltando um dente, mas não considerei isso anormal.
— Mas minha mulher considera. Quando o senhor percebeu que me faltava o canino esquerdo?
— Assim que o senhor entrou no consultório.
— Tá vendo? O senhor vê meu lado esquerdo.
— Claro que sim. E daí?
— Doutor, sou casado há trinta anos. Minha mulher vive chamando minha atenção para minha saúde e minha aparência. Há trinta anos, ouço ela dizer: seu cabelo tá comprido, vá ao barbeiro; Faça a barba, parece um mendigo; Corte os pelinhos da orelha, tá como um ninho de urubu; Camiseta horrível, vista uma daquelas polo que lhe dei. Quando nos conhecemos ela disse: Você tem um olho lindo. Naquela época não dei atenção, é só jeito de falar, pensei. Mas, com o tempo, fui reparando que tinha algo de errado. Quebrei esse dente há três meses e ela ainda não disse nada.
— Ainda não entendi.
— Olha, doutor, já sorri para ela de todas as maneiras, já dei gargalhada, já me fantasiei de Drácula e fiz de conta que ia morder seu pescoço, mas ela não percebeu meu dente quebrado. Já imitei até japonês sorrindo... e nada.
— E por que o senhor acha que isso é um problema?
— Ora, doutor, trinta anos dando bronca por causa das aparências e, de repente...?
— O que acha que está acontecendo?
— Ela não vê meu lado esquerdo, doutor.
— Desculpe, mas...
— Foi por isso que, ao nos conhecermos, ela disse “você tem um olho lindo”, ela realmente só vê um olho meu, o olho direito!
— É bem curioso, só que...
— Nesses últimos três meses, para me certificar, deixei a barba crescer só do lado esquerdo, ela não disse nada. Deixei o cabelo comprido só do lado esquerdo, ela não disse nada. Usei uma camiseta toda furada do lado esquerdo, ela não disse nada. Agora esse dente quebrado e ela não diz nada.
— O senhor andava assim por aí, pela rua?
— Sim. Metade coxinha e metade petralha. E sabe de uma coisa? Descobri que adoro ser petralha! É muito mais descontraído, mais à vontade, mais relaxado, entende?
— Entendo. Mas o que posso fazer?
— Quero que o senhor trate minha mulher e faça com que ela não veja também meu lado direito, quero ser petralha por inteiro.
— Mas se ela não enxergar seu lado esquerdo e nem seu lado direito, ela vai deixar de ver o senhor.
— É mesmo. Não tinha pensado nisso. Serei invisível para ela.
— Pois é. E se o senhor a ama...
— Amo, amo sim, doutor.
— Então...
— Então, vou ter que ser meio coxinha por toda a vida... ou ela será Diana.
— Diana, que Diana?
— O senhor não lia quadrinhos? Tinha o Fantasma, que desapareceu e a mulher pensava que ele estava morto... a mulher era Diana, a mulher do Fantasma.
— Ah, sim. Mais alguma coisa?

— Só mais uma coisa, doutor: se eu trouxer um batalhão de coxinhas... o senhor faz aquelas hipnoses coletivas?

terça-feira, 11 de abril de 2017

Artilheiro pede Música

(Óscar Fuchs)

—Gavião, estamos aqui com o astro do jogo, Pitico! E aí, Pitico, três gols na mesma partida, pode pedir música!
— Ah, é? Posso pedir uma música?
— Pode, o que você quer ouvir enquanto assiste a seus três gols na partida de hoje?
— Mmmmmm... deixa eu pensar...
— Pensa com calma, não é todo dia que se faz três gols na mesma partida, não é Gavião?
— Já sei!
— Pitico já sabe qual a música que vai querer para ilustrar seus três gols no jogo de hoje! Fala aí, Pitico: qual música você escolhe?
— 3° movimento, allegro, Concerto de Brandenburgo, de Johann Sebastian Bach!
— Hein!?
— Bach... Johann Sebastian Bach.
— Bach... aquele roqueiro? Ele escolheu Rock, Gavião!
— Roqueiro? Não, não... é clássico.
— Clássico? Clássico do Rock, Gavião!
— É música clássica.
— Pitico... ô, Pitico... sem brincadeira! Pede aí uma coisa mais simples, que todo mundo goste e conhece...
— Tá. Que tal o Canon em Ré maior?
— “Canhão...”, isso também só pode ser rock! Ele é um rockeiro, Gavião!
— Não, é um cânone e foi composto por Johann Pachelbel. Começa em ré maior e faz sempre a mesma sequência... drammm...drammmm...drammm...
— É clássico! Bateria fazendo drrrrammmm, drrrammmm, drrrammm, Gavião!
— Não é a bateria, é a harmonia: ré, ré com dó sustenido, si menor...
— Menor, Gavião... ele é modesto!
— Todo mundo conhece... super popular... sempre tocam em casamentos... é um clássico!
— É clássico, gente! Clássico como foi o de hoje, quando Pitico fez três gols pra esse povo! E esse povo quer ouvir a música dos três gols, uma música do povo, conhecida... pede aí, Pitico!
— O Canon também não pode?
— Nada de canhão aqui, pede algo que todos cantem junto!
— Tá, peraí... é difícil, hein?
— É, Pitico, não é fácil... mais fácil é fazer três gols na mesma partida! Escolhe aí a sua música.
— Ahnnnnn... Telemann... concerto em dó menor para oboé, cordas e baixo contínuo.
— Tele-Man, isso é música eletrônica, Gavião!
— Não é Tele-Man, é Telemann!
— Não é música eletrônica, Gavião! É música de internet... essa juventude, hein Gavião?
— Tá bem, vamos simplificar.
— Êba...vam’lá, pode pedir, Pitico! Ele vai pedir a música, Gavião!
— Mstislav Rostropovich.
— Quê?
— Suite número 1 para Cello  em sol maior...
— Cello... Cello... seria aquela música do Padre Marcelo?
— Não, não, é de Bach...
— Pô, de novo esse “Bah!”, você é gaúcho? Pensa no Neymar: “Eu quero Tchun, Eu quero Tchan...”
— Ah, boa! A quinta de Beethoven, tchan-tchan-tchan-tchan... Essa é popular, todo mundo conhece.
— Não dá Pitico, outra.
— Tá bem, então que tal Wolfang Amadeus Mozart?
— Finalmente! Uma música evangélica, um gospel como pedem todos os jogadores!
— Não, não é evangélico.
— Mas, você disse “Ama Deus”...
— É o nome dele... aliás, o nome dele nem era Amadeus...
— Tá bem, tá bem, qual a música dele que você quer então?
— Flauta Mágica, pode ser? A ária... pode ser?
— Que beleza! Esse cara tem bom gosto! A área é o terreno dele, é onde ele atua, Gavião! Pequena área, grande área... ele sabe tudo daquele território, Gavião!
— Não, não é área, é Ária. A ária é A rainha da noite, da ópera A Flauta Mágica.
— Ih, Gavião... A rainha da noite só pode ser a mulher do Pitico, né Pitico?
— Na verdade não, é...
— Pede outra, qualquer uma, aquela que você quiser... não é mesmo, Gavião?
— Outra... Don Giovanni, pode?
— Claro que pode! Gavião, toca aí, pra acompanhar os três gols do Pitico, Gian e Giovani... pode ser qualquer uma.

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Febre


segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Assim Seja

Nunca dou conselho porque, afinal, quem sou eu para dar conselho? Sempre dou apenas sugestões. Então, posso te dar uma sugestão? Clique no link abaixo e deixe rolar em segundo plano enquanto lês.
Assim como Mozart, nasci em 1961, num vinte e sete de Janeiro. Mozart nasceu num vinte e sete de Janeiro, não em 1961, óbvio, senão EU seria Mozart.  Mozart, o maior gênio da música mundial, indiscutível. Até certo ponto.
Quando menino ganhei de presente de meu pai dois grandes presentes: uma coleção de livros “encomendada” por correio que se chamava, se bem lembro, “Contos e histórias Infanto-Juvenis”. Meu irmão ganhou “Contos e histórias Infantis”. Apesar de ser apenas um ano mais novo que eu, foi um ótimo argumento para comprovar que ele deveria me obedecer.
Entre “Contos e histórias Infanto-Juvenis”, maravilhas que ninguém mais conhece e sequer lê: Espartacus (de Howard Fast, acho), O Conde de Monte Cristo (Alexandre Dumas), Vinte Mil léguas submarinas e A volta ao mundo em 80 dias (Júlio Verne), Robinson Crusoé (Daniel Defoe), O Homem que queria ser rei (Rudyard Kipling) e tantos outros, todos da mesma categoria e classe. Quem te dera, hein? Pois é, tive esse privilégio. Se você digitar qualquer desses títulos no Google hoje, vai aparecer filme, por isso ninguém mais lê e usa a imaginação.
A outra maravilha que ganhei de meu pai... e aí vem o indiscutível, até certo ponto ao falar de Mozart... foi uma coleção de 12 discos em carbono (são anteriores ao vinil, viu?) da Seleções do Reader’s Digest, que ele recebeu de brinde por ter assinado a “revista”. Aliás, ele não sabia, mas só assinou a revista porque avaliou que o brinde, vamos e venhamos, era muito mais valioso que a publicação. E era, eu que o diga.
Chamava-se Festival da Música Clássica Ligeira e existe até hoje. Se Googlar tem gente leiloando como relíquia. Ali ouvia-se Tchaikovsky, Brahms, Schubert, Beethoven, Ravel, Vivaldi, Berlioz, Elgar, Chopin, Händel, Stravinski, Haydn, Debussy, Liszt, Mahler... e Wagner, Bach, Mozart... deixei os melhores por último.
Essa coleção de discos vinha acompanhada de um livro maravilhoso que trazia a imagem e biografia de cada autor, além da explicação e história de cada peça musical. Vocês não vão acreditar, mas naquele tempo as pessoas tiravam xerox das fichas técnicas dos discos e conseguiam dobrar até ficar do tamanho de uma fita cassete para dar de presente a outra pessoa. Uma fita cassete era uma... deixa pra lá, vai pesquisar.
Logo que ganhei a tal coleção, a primeira coisa que fiz foi folhear o livro que a acompanhava. Ali soube que Mozart nascera num 27 de janeiro e, ao sabê-lo, pensei: esse cara nasceu no mesmo dia que eu (olha a presunção infanto-juvenil, EU é que nasci no mesmo dia que ele!), esse cara nasceu em 27 de janeiro, vou adorar a música desse cara! Decepção. De toda a coleção de discos que ouvi, só não gostei dele: Mozart.
Passei os anos posteriores ouvindo toda a coleção e, eventualmente, colocava Mozart para reavaliar. Mas não tinha jeito, não conseguia apreciar. Anos passaram-se, troquei com um seminarista chamado Francisco meu jogo de xadrez por duas aulas semanais de violão. Lucrei: Aprendi violão, teoria musical e xadrez, pois o Chico não tinha com quem jogar e me obrigava a ficar até tarde da noite, depois da aula de música, jogando com ele.
Mais alguns anos... ou muitos... e certo dia ouvi Lacrimosa, do conhecido Réquiem, de Mozart. Fascinei-me com a subida daqueles 15 tons das vozes (mais que duas escalas! Surpreendente!) até desabrochar num coro grosso e harmonioso, de repente voltando à terra. Uma digna ascenção d’alma e a recolocação no mundano de um reles ser, submetido a uma força maior e mais alta. A subida ao céu e a evidência do terreno, tentando se redimir. Lindo.
Amém. Assim seja. Assim termina.
Bem, depois disso, amadurecido, descobri que Mozart é o maior e melhor compositor de todos os tempos e, para sabê-lo, havemos que ter muita sensibilidade e conhecimento. Eu não tinha. Aí, me maravilho até hoje com A Rainha da Noite, Dies Irae, Confutatis, Figaro, Eine kleine Nachtmusik, etc.
Sugiro outra vez: se quiser ouvir agora, Lacrimosa, o Réquiem e tudo mais de Mozart, aqui está: https://www.ouvirmusica.com.br/mozart/1427639/

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Que terror



Telefonema interceptado entre dois dos temidos terroristas brasileiros:
— Alô?
— Oi, sou eu. Alguma novidade do atentado?
— Vem me visitar amanhã, o garoto é uma peste.
— Que garoto?
— Meu sobrinho, o atentado.
— To falando da explosão!
— Ah, é mesmo. Alguma novidade?
— Foi o que eu perguntei.
— Ah, tá... quando vai ser?
— A gente tá pensando no domingo, mas meu time tem jogo do brasileirão. Só se for depois das seis.
— Ih, o jogo de domingo é às seis e meia, cara. Se explodir vai ter que ser depois de nove da noite.
— Tá, então fica pra segunda-feira.
— E quem vai ser?
— O homem-bomba? Eu não posso porque na segunda-feira trabalho.
— Pois é, cara, eu também queria pedir pra me deixar fora dessa que eu vou ter um compromisso logo depois da explosão, sabe...
— Ninguém tá fora, ninguém tá fora...
— Ué, e você?
— É que eu to coordenando tudo, entende?
— E como vão escolher a vítima... digo... o felizardo?
— Acho que vai ser o mesmo método dos caras lá do Oriente.
— Mérito e fidelidade?
— Não, no palitinho. Mas, e o material, tá pronto?
— Quase. O Marcelo... ups, desculpe... Qual é o codinome secreto do Marcelo mesmo?
— Deixa eu ver aqui... putz, caiu minha internet... mas eu tenho anotado... peraí. É o Marcelo Frei ou o Marcelo Caju?
— Ih, sei não. Aquele moreninho, cabelo crespo, de óculos... Acho que é o Caju.
— Tá, se for o Caju, o codinome secreto dele é Bilu-Bilu.
— Bilu-Bilu!?
— E o irmão dele é o Tetéia.
— Tá. É aquele de João Pessoa, né?
— Não sei, já te digo. Ô mãe, o Bilu-Bilu é de onde? Olha, minha mãe disse que é de Salvador.
— Tá, pois é, ele ficou de conseguir um material aí.
— O que tá faltando?
— Cinto.
— Sente o quê?
— Cinto... tá faltando o cinto.
— Pra que cinto?
— Um cinto de explosivos, pô! Um homem-bomba que se preza sempre tem um cinto de explosivos.
— Precisa, não! Bota numa pochete!
— Ixe! Coisa cafona!
— Compra uma de marca, Pierre Cardin, Calvin Klein... qualquer camelô vende, aí fica fashion.
— Por falar em comprar, onde é que eu posso comprar uma barba falsa?
— É só deixar a barba crescer.
— Não é pra mim, é pra Ludmila... digo... pra Catófla. Sabe como é, terrorista tem que ter barba.
— Loja de fantasia deve ter, várias... ih, peraí que tão batendo na porta. Cara, você não vai acreditar: a polícia federal tá aqui!
— Cara, que tudo! Tão caçando terrorista!
— Sou eu! Sou eu, policial! Podem me prender! Cara, to indo pra outro patamar! Terrorista perseguido, já pensou que status?
— Faz exigência, faz exigência!
— Bem lembrado. Aí, polícia, quero bala-de-goma!
— É isso aí, não dá mole!
— Eles tão tirando meu telefone... liga pros irmãos do Oriente, vai me dar moral... chama a imprensa... ô,mãe, fala que eu era um cara calado e misterioso...eu quero fazer um comunicado... não desliga, não desliga, seu guarda...
Tu-tu-tu-tu-tu-tu.