segunda-feira, 30 de maio de 2016
quarta-feira, 6 de abril de 2016
segunda-feira, 14 de março de 2016
Acabou a moleza
Pela
primeira vez no Brasil se viu, na semana anterior às manifestações, a velocidade
com que agem as redes sociais e a internet. Até alguns três ou quatro anos
atrás, levava-se semanas ou meses para se mudar um conceito depois que ele já
estivesse incrustado na mentalidade das pessoas. Isso, em geral, só se conseguia
com jornais, televisões, rádios e boca-à-boca, todos trabalhando a franca
potência e constantemente. Só então, depois de semanas ou até meses de
campanha, começaríamos a perceber uma
pequena mudança no que estariam pensando as pessoas nas ruas.
Até
quatro ou cinco dias antes do domingo (13/03), os argumentos entre Coxinhas X
Petralhas eram em defesa de seus representantes
políticos e ataques aos representantes
do outro lado. Acusações de lado a lado, muitas falsas outras nem tanto, ofensas
pessoais aos políticos de lá e da cá, revelações de processos contra fulanos e
contra beltranos, poucos poupados. Não importava quem ou o que estava com a
razão, qual ou o que era o motivo da rinha e, mesmo, qual ou o que era o
discurso de cada lado. Afinal, contra e a favor o que se manifestavam nas redes sociais e na internet?
Na
verdade, naquele momento, ninguém sabia direito. O que importava era o ataque. Então
começaram a aparecer nos noticiários acusações, delações, citações, indiciamentos
e processos em que políticos não
governistas estão envolvidos. Os discursos ficaram vazios porque não se sabia
exatamente o que queria quem. Um queria Impeachment
por causa da corrupção, o outro não. Ora, o que pedia a manifestação? Impeachment! Por quê? Corrupção! Mas, tinham
percebido que também há corruptos fora
do governo. E agora? Os dois lados ficaram meio perdidos.
Consciente
de que haviam perdido seus ídolos políticos, que eles não seriam um bom apelo,
e percebendo que seu discurso tinha ficado sem sentido, o movimento vem pra rua, apenas dois ou três dias
antes, mudou para “somos contra qualquer corrupção, seja de quem for”. Usando a
internet e sobretudo as redes sociais, em questão de horas conseguiram incutir
em seus seguidores o novo discurso. E de um momento a outro, saíram às ruas com
o novo conceito da manifestação.
A
rapidez foi tanta que ficou até engraçado quando dois desses ídolos, Alkmin e Aécio,
foram à manifestação imaginando que seriam levados nos braços da glória e, ao invés
disso, os expulsaram aos gritos de corruptos
e oportunistas. Até eles foram surpreendidos
pela mudança vertiginosa de conceito! Imagino um dizendo ao outro: Pô, mas nem
me avisaram!
Assim
se entende a constante luta das mídias estabelecidas, sobretudo Globo, contra
as mídias sociais. Diariamente, em seus jornais e programas, a Globo insiste
que ficar muito tempo nas redes sociais faz mal para a saúde. Faz mal para a
saúde dela! De uns tempos para cá ela vem tentando também colar seus aplicativos nos usuários de mídias sociais, o que seria
um meio de manter suas ideias ativas. Mas não está conseguindo.
Lí dia desses, véspera da manifestação, um texto
do Fernando Morais em que ele expressava bem essa atuação participativa dos
meios eletrônicos na nossa vida. Dizia ele: (...)mas
as coisas mudaram: imprensa de papel está com os dias contados; assim como a TV,
como nós conhecemos, também vai acabar. Agora eles mentem à noite na televisão
e nós desmentimos de dia, na internet. Acabou a moleza.
quarta-feira, 16 de dezembro de 2015
BÚZIOS ego
Búzios. Estávamos
assistindo ao noticiário da TV no quarto da pousada quando deram a previsão do
tempo para várias cidades do Brasil. Ao terminar, a amada companheira reclamou:
—
Não deram a previsão para Búzios!
Retruquei:
—
Búzios não é no Brasil, meu amor, — e completei — talvez nem no continente
americano.
Adoro
o humor que reside nas megalomanias. E a impressão de Búzios é essa mesma: tão
megalomaníaca que chega a ser engraçada, meio ridícula na sua ostentação, na
sua fleuma tupiniquim, na sua arrogância presunçosa. Tudo o que é assim,
megalomaníaco, provoca humor e risos.
Logo
de chegada, ao irmos a um restaurante, o garçom nos atendeu com um buenos dias. Disse a ele que não falasse
espanhol e ele tascou:
—
Sorry, sir.
Expliquei
ao garçom que sou brasileiro e que poderíamos falar português. Senti-me como
aqueles milhares de migrantes que estão invadindo a Europa: “lá vêm esses
clandestinos fugidos encher o saco”, pois o garçom fechou a cara e ficou
emburrado durante toda a refeição. Não sei se foi porque me considerava um
invasor de seu "país", se foi porque não poderia exercitar sua bilinguidade ou se foi porque sabia que
brasileiro gasta pouco. Se foi por causa da última conjectura, ele estava
certo: escolhemos pratos baratos.
Costumo
dizer que Búzios é a mais badalada praia do território argentino. Mas estou
errado. Dos argentinos, Búzios apreendeu a megalomania e o egocentrismo, pois
na verdade é a mais badalada praia do território buziano. Búzios é uma
península isolada psicologicamente do mundo. Se não fossem dez toneladas de
terra naquele istmo que liga Búzios ao continente, seria uma ilha. E adoraria
ser uma ilha, pois está convencida de que é muito mais importante que o resto
do mundo.
Argentinos
às pencas. Agora imagina: você vai para um lugar à beira-mar, que foi uma
colônia de pescadores e onde abundam ostras, lagostas, caranguejos, lulas,
peixes miles para se fartar de frutos
do mar, mas o prato principal em todos
os restaurantes é... picanha. Picanha e pizza são os pratos típicos da
gastronomia independente de Búzios. Os frutos do mar deixaram a desejar até pro
peixinho frito de qualquer boteco aqui do nosso país. Claro, nosso país significa “fora de Búzios”.
As
suspeitas da independência total de Búzios em relação ao resto do planeta se
confirmaram. Caminhando pela orla, encontrei uma placa que retrata em desenho
como Búzios se separou — vejam só — do Paleocontinente
Gondwana! Ali explica que a terra tinha um continente, o Gondwana, que foi dividido em várias partes
continentais: África, Índia, Antártica, Austrália, América de Sul e... Búzios.
Isso mesmo. Além desses, não aparece nenhum outro nome de cidade, de estado, de
país ou de continente, só “Búzios”.

Como Búzios
se separou do Paleocontinente Gondwana!
Búzios
não está nem aí para o resto da Terra, quiçá do Universo! Búzios, se falasse —
e não duvido disso —, diria:
—
Pois é, infelizmente tenho que dividir esse planeta e meus mares com outros
continentezinhos e territoriozinhos.
Sim,
porque pensa que os mares são seus, como
pensam os ingleses.
Já
tinha formulado todas essas impressões de Búzios depois de chegar aqui em casa.
Então fui vestir uma dessas camisetas baratinhas “I Love Búzios” que se compram para dar de lembrança aos amigos.
Antes de vestir, dei uma olhada na etiqueta na esperança de que dissesse algo de diferente, afinal,
conhecendo Búzios... Pois, pasmem, minhas impressões estavam totalmente
corretas. Na etiqueta estava escrito nada mais, nada menos que: Made in Búzios. Que ego!
domingo, 13 de dezembro de 2015
terça-feira, 8 de dezembro de 2015
sábado, 19 de setembro de 2015
Onofre Novato
Onofre Novato, o gaudério novato, é um gaúcho urbano, da
capital, que resolveu buscar suas origens. Apeou da cidade e montou no cavalo
das tradições gaúchas com mala-de-garupa, cuia e hematomas.
Onofre Novato, nas lides campeiras











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