Última tira da página inicial... página inteira. Na próxima postagem, o início da história.
Há alguns anos me encomendaram uma revista em quadrinhos sobre o Grêmio. Como, à época, o Grêmio estava naquela rivalidade com o Palmeiras/Parmalat (um time milionário!), achamos por bem começar com aqueles confrontos. Mas tinha que ser uma HQ infantil, então estudei os jogadores do Grêmio e criei caricaturas simples e bem infantis de cada um deles. Foram meses de trabalho, gasto de materiais (só de Xerox colorido A3 gastei uma pequena fortuna) e, no fim, adoraram. Mas.... acabou que os picaretas da revista fugiram, não pagaram e ainda levaram os originais em nanquim e aquarela. Consegui recuperar os originais.
Agora, vou publicar periodicamente uma tira dessa revista. Peço que compartilhem e divulguem para que todos conheçam e, eventualmente, alguém queira publicar. Vai a última tira, (em página inteira, com as tiras anteriores) do “Mosquetinho”, um menino gremista que é filho do mosqueteiro. Obrigado.
terça-feira, 9 de maio de 2017
quarta-feira, 3 de maio de 2017
terça-feira, 2 de maio de 2017
Quadrinhos - HQ
Há alguns anos me encomendaram uma revista em quadrinhos sobre o Grêmio. Como, à época, o Grêmio estava naquela rivalidade com o Palmeiras/Parmalat (um time milionário!), achamos por bem começar com aqueles confrontos. Mas tinha que ser uma HQ infantil, então estudei os jogadores do Grêmio e criei caricaturas simples e bem infantis de cada um deles. Foram meses de trabalho, gasto de materiais (só de Xerox colorido A3 gastei uma pequena fortuna) e, no fim, adoraram. Mas.... acabou que os picaretas da revista fugiram, não pagaram e ainda levaram os originais em nanquim e aquarela. Consegui recuperar os originais.
Muito nanquim, aquarela e letraset... na época a computação gráfica tava ainda iniciando... e olha que eu trabalhava com "imagem digital"! As pessoas pensavam que eu trabalhava com a polícia por causa da "imagem digital". kkkkkkkk
Agora, vou publicar periodicamente uma tira dessa revista. Peço que compartilhem e divulguem para que todos conheçam e, eventualmente, alguém queira publicar. Vai a primeira tira, do “Mosquetinho”, um menino gremista que é filho do mosqueteiro. Obrigado
quinta-feira, 27 de abril de 2017
Meu lado esquerdo
(Óscar Fuchs)
— Bom dia, no que posso ajudá-lo?
— Bem, doutor, é que eu quero ser mais
descontraído, andar mais à vontade, mais relaxado.
— Isso é fácil. O senhor me conta
algumas coisas da sua vida e...
— Não, doutor, não sou eu o problema. O
senhor vai ter que tratar a minha mulher.
— Ah, é mesmo? E qual é o problema dela?
— Bem, o senhor tinha um colega famoso,
o psiquiatra Oliver Sacks.
— Sim. Ele escreveu “O Homem que confundiu
sua mulher com um chapéu”.
— Esse mesmo. Antes de vir eu tomei
banho, fiz a barba, cortei o cabelo...
— E o que sua mulher tem a ver com isso?
— Olhando pra mim, o que o senhor vê de...
anormal?
— De anormal? Deixa ver... pode se
levantar, por favor? Nada. Pode sentar.
— Não seja gentil, doutor. Diga
exatamente o que não está certo comigo.
— Mmmmm... já disse, não vejo nada...
— O senhor está vendo, mas não quer
dizer.
— O que estou vendo?
— Meu dente.
— É verdade, reparei que está faltando
um dente, mas não considerei isso anormal.
— Mas minha mulher considera. Quando o
senhor percebeu que me faltava o canino esquerdo?
— Assim que o senhor entrou no
consultório.
— Tá vendo? O senhor vê meu lado
esquerdo.
— Claro que sim. E daí?
— Doutor, sou casado há trinta anos.
Minha mulher vive chamando minha atenção para minha saúde e minha aparência. Há
trinta anos, ouço ela dizer: seu cabelo tá comprido, vá ao barbeiro; Faça a
barba, parece um mendigo; Corte os pelinhos da orelha, tá como um ninho de
urubu; Camiseta horrível, vista uma daquelas polo que lhe dei. Quando nos
conhecemos ela disse: Você tem um olho lindo. Naquela época não dei atenção, é
só jeito de falar, pensei. Mas, com o tempo, fui reparando que tinha algo de errado.
Quebrei esse dente há três meses e ela ainda não disse nada.
— Ainda não entendi.
— Olha, doutor, já sorri para ela de
todas as maneiras, já dei gargalhada, já me fantasiei de Drácula e fiz de conta
que ia morder seu pescoço, mas ela não percebeu meu dente quebrado. Já imitei
até japonês sorrindo... e nada.
— E por que o senhor acha que isso é um
problema?
— Ora, doutor, trinta anos dando bronca
por causa das aparências e, de repente...?
— O que acha que está acontecendo?
— Ela não vê meu lado esquerdo, doutor.
— Desculpe, mas...
— Foi por isso que, ao nos conhecermos,
ela disse “você tem um olho lindo”, ela realmente só vê um olho meu, o olho direito!
— É bem curioso, só que...
— Nesses últimos três meses, para me
certificar, deixei a barba crescer só do lado esquerdo, ela não disse nada.
Deixei o cabelo comprido só do lado esquerdo, ela não disse nada. Usei uma
camiseta toda furada do lado esquerdo, ela não disse nada. Agora esse dente
quebrado e ela não diz nada.
— O senhor andava assim por aí, pela
rua?
— Sim. Metade coxinha e metade petralha.
E sabe de uma coisa? Descobri que adoro ser petralha!
É muito mais descontraído, mais à vontade, mais relaxado, entende?
— Entendo. Mas o que posso fazer?
— Quero que o senhor trate minha mulher
e faça com que ela não veja também meu lado direito, quero ser petralha por inteiro.
— Mas se ela não enxergar seu lado
esquerdo e nem seu lado direito, ela vai deixar de ver o senhor.
— É mesmo. Não tinha pensado nisso.
Serei invisível para ela.
— Pois é. E se o senhor a ama...
— Amo, amo sim, doutor.
— Então...
— Então, vou ter que ser meio coxinha por toda a vida... ou ela será
Diana.
— Diana, que Diana?
— O senhor não lia quadrinhos? Tinha o
Fantasma, que desapareceu e a mulher pensava que ele estava morto... a mulher
era Diana, a mulher do Fantasma.
— Ah, sim. Mais alguma coisa?
— Só mais uma coisa, doutor: se eu
trouxer um batalhão de coxinhas... o
senhor faz aquelas hipnoses coletivas?
terça-feira, 11 de abril de 2017
Artilheiro pede Música
(Óscar Fuchs)
—Gavião, estamos aqui com o astro do
jogo, Pitico! E aí, Pitico, três gols na mesma partida, pode pedir música!
— Ah, é? Posso pedir uma música?
— Pode, o que você quer ouvir
enquanto assiste a seus três gols na partida de hoje?
— Mmmmmm... deixa eu pensar...
— Pensa com calma, não é todo dia que
se faz três gols na mesma partida, não é Gavião?
— Já sei!
— Pitico já sabe qual a música que vai
querer para ilustrar seus três gols no jogo de hoje! Fala aí, Pitico: qual
música você escolhe?
— 3° movimento, allegro, Concerto de Brandenburgo, de Johann Sebastian Bach!
— Hein!?
— Bach... Johann Sebastian Bach.
— Bach... aquele roqueiro? Ele escolheu Rock, Gavião!
— Roqueiro? Não, não... é clássico.
— Clássico? Clássico do Rock, Gavião!
— É música clássica.
— Pitico... ô, Pitico... sem brincadeira! Pede aí uma coisa
mais simples, que todo mundo goste e conhece...
— Tá. Que tal o Canon em
Ré maior?
— “Canhão...”, isso também só pode ser rock! Ele é um
rockeiro, Gavião!
— Não, é um cânone e foi composto por Johann Pachelbel. Começa em ré maior e faz sempre a mesma sequência... drammm...drammmm...drammm...
— É clássico! Bateria fazendo drrrrammmm,
drrrammmm, drrrammm, Gavião!
— Não é a bateria, é a harmonia: ré, ré com dó sustenido, si menor...
— Menor, Gavião... ele é
modesto!
— Todo mundo conhece... super popular... sempre tocam em casamentos... é
um clássico!
— É clássico, gente! Clássico como foi o de hoje, quando Pitico fez três
gols pra esse povo! E esse povo quer ouvir a música dos três gols, uma música
do povo, conhecida... pede aí, Pitico!
— O Canon também não pode?
— Nada de canhão aqui, pede algo que todos cantem junto!
— Tá, peraí... é difícil, hein?
— É, Pitico, não é fácil... mais fácil é fazer três gols na mesma
partida! Escolhe aí a sua música.
— Ahnnnnn... Telemann... concerto em dó menor para oboé, cordas e baixo
contínuo.
— Tele-Man, isso é música
eletrônica, Gavião!
— Não é Tele-Man, é Telemann!
— Não é música eletrônica, Gavião! É música de internet... essa
juventude, hein Gavião?
— Tá bem, vamos simplificar.
— Êba...vam’lá, pode pedir, Pitico! Ele vai pedir a música, Gavião!
— Mstislav Rostropovich.
— Quê?
— Suite número 1 para Cello em sol maior...
— Cello... Cello... seria aquela música do Padre Marcelo?
— Não, não, é de Bach...
— Pô, de novo esse “Bah!”, você é gaúcho? Pensa no Neymar:
“Eu quero Tchun, Eu quero Tchan...”
— Ah, boa! A quinta de Beethoven, tchan-tchan-tchan-tchan... Essa é popular, todo mundo conhece.
— Não dá Pitico, outra.
— Tá bem, então que tal Wolfang Amadeus Mozart?
— Finalmente! Uma música evangélica, um gospel como pedem
todos os jogadores!
— Não, não é evangélico.
— Mas, você disse “Ama Deus”...
— É o nome dele... aliás, o nome dele nem era Amadeus...
— Tá bem, tá bem, qual a música dele que você quer então?
— Flauta Mágica, pode ser? A ária... pode ser?
— Que beleza! Esse cara tem bom gosto! A área é o terreno
dele, é onde ele atua, Gavião! Pequena área, grande área... ele sabe tudo
daquele território, Gavião!
— Não, não é área, é Ária. A ária é A rainha
da noite, da ópera A Flauta Mágica.
— Ih, Gavião... A rainha
da noite só pode ser a mulher do Pitico,
né Pitico?
— Na verdade não, é...
— Pede outra, qualquer uma, aquela que você quiser... não é
mesmo, Gavião?
— Outra... Don Giovanni, pode?
— Claro que pode! Gavião, toca aí, pra acompanhar os três
gols do Pitico, Gian e Giovani... pode ser qualquer uma.
segunda-feira, 3 de abril de 2017
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